Um polvo de mil braços
me aponta a direção.
Sem peso na consciência,
sem respeitar a tradição.
Há um dedo do destino
ou apenas contramão?
Esse polvo de mil braços
mil abraços me quer dar.
Acolhida não é o norte
nem o sul desse lugar.
E os braços e abraços,
cansados de se esquivar,
se vestem de cuidados.
Tanta roupa, tanto fardo,
pode um dia enfadar.
Se arrasta pro meu lado.
Que mais pode querer?
Com algum dos tantos olhos
há de ainda piscar?
Soberano no aquário
de oceano do meu lar.
Parece que o polvo
me quer povoar.
terça-feira, 19 de março de 2013
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
OCA
Te deixo ir.
Sem certeza,
mas sem culpa.
Como os versos
que o poeta
deixa
pra alguém usar.
Te deixo ir.
Sabendo
que não tem mais volta.
Sem medo, sem revolta.
Como quem
sabe esperar.
Te deixo ir
porque não posso
te amarrar.
Mas fico
oca.
Como quem
não sabe ficar.
Sem certeza,
mas sem culpa.
Como os versos
que o poeta
deixa
pra alguém usar.
Te deixo ir.
Sabendo
que não tem mais volta.
Sem medo, sem revolta.
Como quem
sabe esperar.
Te deixo ir
porque não posso
te amarrar.
Mas fico
oca.
Como quem
não sabe ficar.
sábado, 15 de dezembro de 2012
TARDO
A tarde é triste,
tem o tédio como tema.
Não há trema,
teorema ou tralalá.
À tarde tardo,
ardo.
Tartamudeio,
creio.
Tomo o tento
que tentar.
Tardo a me traçar
nesta tarde sem tinos.
Titubeio, anseio.
Atarefada, puxo o freio!
Tenho sempre que teimar.
tem o tédio como tema.
Não há trema,
teorema ou tralalá.
À tarde tardo,
ardo.
Tartamudeio,
creio.
Tomo o tento
que tentar.
Tardo a me traçar
nesta tarde sem tinos.
Titubeio, anseio.
Atarefada, puxo o freio!
Tenho sempre que teimar.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
PORTAS ABERTAS
Da sala vazia restaram
portas abertas
com vista pro bar,
visitas nascidas pra morar.
Hermetismos sombrios
suspiros artísticos
fantasmas a sussurrar.
A solidão não sabia
ser menos calculista.
Artista de circo,
malabarista torta.
Chama criando sombras.
Nômade
com jeito de ficar.
E as portas abertas
- incertas ou não -
eram fonte de júbilo,
ângulo reto.
Mas também de agonia.
Palhaço sem plateia,
riso sem par.
(Ainda assim,
melhor rir do que chorar).
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
PRELÚDIO DO FIM
A febre é prelúdio
do fim.
E o samba é triste -
verbo no futuro.
Os fogos de artifício
não servirão.
Lágrimas se atrasam,
em riste.
Ainda não é tempo
de cair.
E a mortalha
já não é colorida.
Liberdade
não virou prisão.
Luas sobre a cidade
cegam.
A luta é incansável!
Tango em São João.
E a tela agora
se parte em mil
formas de distância.
Tristeza é prelúdio
de separação.
do fim.
E o samba é triste -
verbo no futuro.
Os fogos de artifício
não servirão.
Lágrimas se atrasam,
em riste.
Ainda não é tempo
de cair.
E a mortalha
já não é colorida.
Liberdade
não virou prisão.
Luas sobre a cidade
cegam.
A luta é incansável!
Tango em São João.
E a tela agora
se parte em mil
formas de distância.
Tristeza é prelúdio
de separação.
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