segunda-feira, 9 de julho de 2018

TEM CABIMENTO?

Foi sugada,
de repente,
para um vácuo
do tempo

onde a ordem
das coisas
parecia não proceder.

E era tanta distração
no caminho 
(tanta canção
sem lugar),

que os momentos
teimavam
em não pertencer.

De tanto não ser
virou poesia.

Sorveu na noite
o gosto do dia.

Conheceu mundos
feitos sob medida
para não caber.

TRANSBORDAMENTOS

Me move o mágico,
o trágico,
o dialético
e o sem fim

O que não cabe
em mim
é justamente
o que posso carregar.

Só aquilo que não pesa
a vida é capaz de levar.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ALEGRIA DE SER PARTE

Atravesso
a saudade
e é tudo
novo.

No esboço
de um sorriso
me deixo
antever.

Se sou parte
da cidade
me invade
a alegria.

Cega
de empatia,

Preciso
me ver!

sábado, 16 de dezembro de 2017

ÁGUAS

Ainda dói
um bocadinho.
Corrói
alguma mágoa.

É água estagnada
querendo escoar.

Mas já há
muito avanço!
Ranço que não
volta.

Água
que se amolda
ao formato
do lugar.

Se a lágrima
ao olho verte
todo sentimento
inerte
vem à boca
com gosto
de água do mar.

DESCALÇA

Ando descalça
nessa terra
que é meu ser.

Custo a perceber
que a textura
me apraz.

Sinto o contato,
a temperatura,
o formato...
como quem explora
e se torna capaz.

Me delicio
nos rios de lágrimas,
mas também
nas montanhas
que me enchem
de paz.

Me descobrir
terreno
tão variado
traz cura para o enfado
transforma o estrago
em cais.