quinta-feira, 28 de julho de 2011

FUGA

Se pudesse fugir,
fugia.
Nada mais lhe prendia
àquele lugar.

E, com ganas de ir,
sorria
ao ver que o destino
não lhe ia faltar.

Se pudesse sair,
saía
do espaço pequeno
da tela a espelhar.

Chegaria do lado
oposto.
Com gosto de alegria
tentaria ficar.


terça-feira, 19 de julho de 2011

DORES


Anestesiada,
já não sinto
dor.

Assim é fácil, Dr.,
acabar com todas
as dores do mundo.

Difícil é ir fundo.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

SEM PALAVRAS


Não era amor banalizado
dos amantes mal amados,
nem amor superlativo
dos amores já vividos.

Mas era amor
por falta de outra palavra.

E, de perto, era mais
do que todo alfabeto.

Até diria ser pecado
limitá-lo dessa forma.

E evitaria o estrago
se as normas pudesse mudar:
inventaria palavras novas
ou as velhas tentaria apagar.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

É E SERÁ


Era chegada a hora!

E toda a expectativa
se transformava
em especulação.

E a especulação
em medo.

E o medo
em medição.

E a medição
em melindre.

Não podia ser assim.
Não podia não ser assim.

Mas era...
e é.

E será.

domingo, 29 de maio de 2011

PARTO ÀS AVESSAS


Quando tentou gritar
no afã de se livrar
da raiva que calou,
se espantou!

Um pedaço que saía
da boca ali aberta
(que de náusea lhe enchia)
era mágoa ainda presa.

E ao vê-la,
quase que nascendo,
teve certza:
era um parto às avessas.

E, mesmo sem analisar,
se vomitava ou engulia,
o pedaço resolveu puxar
(agora que à boca havia chagado
era impossível suportar).

Mas, como mágica sombria,
a mágoa que saía
tinha um nó que a ligava
a outra mágoa, de outro dia.

E o parto prosseguia...

Deste vômito mal acabado,
enorme corda se formava
e tanto mal lhe fazia
que quase se arrependia
de tê-lo provocado.

Era parto,
mas também era enfado.

Chegou a um ponto,
porém,
que a corda já lhe fazia bem.

Talvez por estar mais fora,
talvez por não estar tão sem.

Foi aí, então,
que a teve que cortar.

E um tanto ficou no chão,
e outro tanto voltou a entrar.

Era parto,
a apartar.

E, no fim,
se sentiu tão leve!

Subiu numa balança,
quase podia voar.