Foi sugada,
de repente,
para um vácuo
do tempo
onde a ordem
das coisas
parecia não proceder.
E era tanta distração
no caminho
(tanta canção
sem lugar),
que os momentos
teimavam
em não pertencer.
De tanto não ser
virou poesia.
Sorveu na noite
o gosto do dia.
Conheceu mundos
feitos sob medida
para não caber.
Me move o mágico,
o trágico,
o dialético
e o sem fim
O que não cabe
em mim
é justamente
o que posso carregar.
Só aquilo que não pesa
a vida é capaz de levar.
Atravesso
a saudade
e é tudo
novo.
No esboço
de um sorriso
me deixo
antever.
Se sou parte
da cidade
me invade
a alegria.
Cega
de empatia,
Preciso
me ver!
Ainda dói
um bocadinho.
Corrói
alguma mágoa.
É água estagnada
querendo escoar.
Mas já há
muito avanço!
Ranço que não
volta.
Água
que se amolda
ao formato
do lugar.
Se a lágrima
ao olho verte
todo sentimento
inerte
vem à boca
com gosto
de água do mar.
Ando descalça
nessa terra
que é meu ser.
Custo a perceber
que a textura
me apraz.
Sinto o contato,
a temperatura,
o formato...
como quem explora
e se torna capaz.
Me delicio
nos rios de lágrimas,
mas também
nas montanhas
que me enchem
de paz.
Me descobrir
terreno
tão variado
traz cura para o enfado
transforma o estrago
em cais.