terça-feira, 7 de julho de 2015

ROUCO

Tudo que sinto
é arte,
e não há espaço 
pra indecisão.

Não me comove 
o mártir
que não anseia 
revolução.

O sentimento 
é pouco,
e clama 
por expansão.

Sobra eco
rouco
no vazio
da intenção. 

MORDAÇA

Todo freio
é sombrio
onde o receio
distrai.

A alma
é abrigo
do perigo
fugaz.

Todo pedaço
de vidro,
toda mordaça
voraz,

anunciam
com silêncio
uma briga
contumaz.

Pautada
na lógica
sentida
do nunca mais.

(onde há conflito
só cogito paz)

quinta-feira, 26 de março de 2015

DESVIO

Há de haver desvios
quando passos são dados
de forma tão natural.

Acima do bem
e do mal.

Além do roteiro,
há improviso afinal.

E ali onde fez-se ponte
fez-se abismo
Pois o desvio do rio
(ainda que sombrio)
é providencial.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

ATALHOS

Duvido que duvido
se vejo setas amarelas
apontadas pra ti.

Não reconheço
caminhos amenos.
Atalhos não me servem
sucintos que são.

A negação não é o caminho
mas me atirar sozinho
frente a ermos lampejos
(e assim prevejo)
talvez não seja a solução.

E há sempre
um pouco de morte
quando um lado
é intenso
e o outro não.
 

segunda-feira, 5 de maio de 2014

FÔLEGO

Os mares se revoltam
e ondas devastadoras
são mais fortes que construções.

Todas as inundações
são de lágrimas,
água salgada de mim.

Antagonismo chinfrim.

Âncoras me guiam
até o fundo do mar.

E é aí que quero morar.

Submersa
posso sobreviver
ao caos.

Navegar não é preciso.